ESTRATÉGIAS DE INVESTIMENTO: IMPACTO DAS ESCOLHAS NA CONSTRUÇÃO DA RENDA PASSIVA
- Rogério Leitão
- 17 de fev. de 2023
- 9 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2023

A forma como enfrentamos as crises financeiras podem determinar nossa estabilidade emocional como também alterar o nosso patrimônio, seja aumentando ou diminuindo ao longo do tempo. Nossas escolhas determinam e indicam o nosso estado atual de riqueza ou pobreza, neste sentido é imperativo que tenhamos que desenvolver uma cultura de administração dos recursos cada vez mais finitos e escassos, que possibilitam a concretização dos nossos sonhos. Estamos falando de uma estratégia de investimento, que de acordo com o perfil do investidor deve-se considerar os riscos e impactos financeiros no decorrer do tempo, tornando-se necessário o aprendizado nesta área, para que se possa conhecer os diversos tipos de investimentos e então decidir o que de fato pode ser mais adequado a sua perspectiva de renda passiva em um futuro a longo ou curto prazo. Muitas são as opções e o mercado global, incluindo a saúde das grandes empresas, enfim tudo afetar diretamente a carteira de investimentos, são os desafios de quem pretende criar uma estratégia de investimento, o objetivo desta paper é evidenciar possibilidades que podem fazer diferença na qualidade de vidas das pessoas de um modo geral, a luz de grandes pensadores e autores que trazem diversas linhas de pensamento que comprovam a eficácia e efetividade de uma boa escola na hora de investir.
Introdução
O mercado financeiro sempre foi um desafio para a humanidade, e certamente navegar por estas águas não é para amadores, mas será que apenas os bancos de crédito, financeiras e grandes investidores estão habilitados para ingressar em um turbilhão de oportunidades, ou simples mortais com poucos recursos podem ser iniciados nesta instigante busca da tão sonhada liberdade financeira.
Muitos autores e pesquisadores mostram que qualquer pessoa pode aprender a desenvolver suas finanças ainda jovem, porém conforme vamos aprofundado nossos conhecimentos vamos ganhando experiência com nossos erros, e são essas vivências que nos permitem uma visão de mercado de forma incremental, isso certamente afeta nosso comportamento e a nossa maneira de pensar diante de algumas dificuldades econômicas.
Souza et al. (2013) comentam que aquelas pessoas que não têm um conhecimento mínimo sobre suas finanças pessoais geralmente apresentam como deficiência adesão ao consumismo, gastando acima do que seus rendimentos permitem.
Pensar em segurança financeira e viver de renda passiva é para muitos desafiar o “status quo”, ou seja, é pensa fora da caixa, é mudar a forma de agir com base nas escolhas, bem-sucedidas ou malsucedidas, mas que se torna de fundamental importância levando-se em consideração a educação financeira, saber planejar o futuro e concretizar sonhos.
Sob esse enfoque, Wisniewski (2011) alerta que a ausência do controle no orçamento financeiro, que ocorre muitas vezes pela falta de informação e planejamento financeiro, acaba sendo um dos fatores que prejudica a saúde financeira dos indivíduos em âmbito global.
Este paper se justifica pela relevância deste assunto cada vez mais debatido seja por pessoas físicas ou jurídicas, e tem por objetivo evidenciar a importância do pensamento estratégico na hora de investir, com base nas escolhas e seus impactos no desenvolvimento de uma renda passiva futura.
Metodologia: Compreender as características do pensamento estratégico de investimento a partir da identificação de padrões apresentados na literatura foi base dessa pesquisa que utilizou uma abordagem qualitativa e exploratória, não obstante este paper não tem por finalidade aprofundar o assunto, mas clarificar de forma objetiva as potencialidades de qualquer pessoa na conquista de uma renda passiva futura.
Desenvolvimento
As oportunidades de se obter uma determinada rentabilidade dos nossos recursos financeiros são grandes, ainda mais nos dias de hoje com tanta tecnologia na palma da mão, com tantos aplicativos de instituições consagradas, contudo é necessário se familiarizar com tantos termos técnicos, parece ser uma tarefa difícil pra quem não teve uma educação financeira básica, entender o que é dinheiro e para que serve parece ser tão evidente, mas traz muitas reflexões.
O combustível que impulsiona o indivíduo à conquista da Educação Financeira é o sonho, ou seja, um propósito a atingir. Schäfer (2015, p. 180) afirma que “todos têm o direito de ir atrás dos seus sonhos financeiros, mas para transformar os seus sonhos em realidade, primeiro você precisa defini-los.” Domingos (2013, p. 49) destaca que “tendo um sonho como objetivo a ser alcançado, fica bem mais fácil praticar a educação financeira e tornar-se bem-sucedido sucedido no mundo das finanças.” Cerbasi (2014, p. 100) afirma, “por experiência própria, que poucas sensações são tão boas quanto a de trabalhar pelas realizações de sonhos, e não por necessidade de pagar contas.” Isto é, quando se obtém um objetivo autêntico, importante e justificável, poupar se torna muito mais fácil, racional e, sobretudo, estimulante, alega Arcuri (2018, p. 38).
Percebe-se que conhecer perfil do investidor, ou seja, o autoconhecimento é uma regra básica pra definir suas estratégias de como o cliente de qualquer instituição financeira deve se comportar no mercado financeiro, podendo ser ofertados para este cliente os produtos certos dentro do seu perfil, com isso o processo de engajamento aumenta com o sucesso em cada investimento, fidelizando e motivando o cliente cada vez mais aumentar seus investimentos.
No entanto os riscos e incertezas definem nossas escolhas, que de forma estratégica precisam ser planejadas na maioria das vezes no médio e longo prazo, para (KEYNES, 1936, p. 134) as decisões humanas que envolvem o futuro, sejam elas pessoais, políticas ou econômicas, não podem depender da estrita expectativa matemática, uma vez que as bases para realizar semelhantes cálculos não existem e que o nosso impulso inato para a atividade é que faz girar as engrenagens, sendo que a nossa inteligência faz o melhor possível para escolher o melhor que pode haver entre as diversas alternativas, calculando sempre o que se pode, mas retraindo-se, muitas vezes diante do capricho, do sentimento ou do azar.
Deste modo, a decisão do agente econômico tem que ser guiada por um comportamento em relação ao futuro que não se apoia somente em uma análise racional dos fatos, mas em uma disposição otimista para enfrentar um ambiente incerto e construir algo positivo. (MOLLICA, 1999, p. 93).
A partir do período da infância, os indivíduos são induzidos a fazerem escolhas, e ao longo dessas escolhas alguns elementos são capazes de acarretar para certo percurso. De acordo com Yoshinaga; et al. (2004) as pesquisas no setor revelam que ao formarem suas crenças e preferências, os indivíduos estão sujeitos a vieses cognitivos.
Há pouco tempo, vem ganhando vigor no âmbito educacional a aplicação da educação financeira, que firma um novo campo de pesquisas, que se contrapõem ao pressuposto dos tomadores de decisões empregado pelas finanças tradicionais que trata da tese dos mercados eficientes, nesse tipo de mercado, os investidores são agentes puramente racionais, que tomam suas decisões depois de análises criteriosas de perigo e retorno (SILVA e SERPA, 2012).
A educação financeira serve de base para uma tomada de decisão mais consciente, diminuindo a eventualidade de equívocos e desvendando se uma ferramenta capaz de coarctar ingerência de elementos emocionais nas decisões. Klapper; Lusardi e Panos (2012) defendem que a capacidade das pessoas para gerir decisões financeiras informadas é necessária para o progresso das finanças pessoais, que pode ajudar para a alocação mais efetiva de recursos financeiros e uma maior estabilidade financeira, tanto a nível micro, quanto macro.
De acordo com Lucena e Marinho (2013), o entendimento sobre educação financeira permite a pessoa um maior controle e disposição de sua renda. Dessa forma, a educação financeira possui um posto de grande valia na gestão do orçamento pessoal. O que pode ajudar para a finalidade e medida de despesas, assim como uma ótima gestão e exibição de receitas orçamentárias pessoais.
Neste contexto, a busca de uma renda passiva futura, ou seja, a possibilidade de viver de renda e alcançar ganhar uma melhor qualidade de vida, precisa ser construída a partir de uma educação financeira, não existe uma melhor idade, mas precisa ser iniciada o quanto antes, a fim de evitar grandes equívocos que podem trazer graves consequências.
Fleck (2008) menciona que apesar de haver um consenso sobre a importância de avaliar a qualidade de vida, seu conceito ainda é um campo de debate. Para o autor, a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde é a que melhor traduz a abrangência do constructo qualidade de vida. O grupo WHOQOL (The World Health Organization Quality of Life) definiu qualidade de vida como: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto de sua cultura e no sistema de valores em que vive e em relação a suas expectativas, seus padrões e suas preocupações”.
Vieira (2012) buscou compreender a relação entre qualidade de vida, estilo de vida e endividamento, de forma a lançar luz sobre a questão de como os bens materiais, embora possam ser considerados fatores propiciadores de melhor qualidade de vida, podem levar as pessoas ao endividamento e, paradoxalmente, ao comprometimento da própria qualidade de vida.
Muitos são os caminhos para se atingir a renda passiva utilizando-se estratégias de investimento, observando-se o comportamento do mercado a longo prazo, seja através de uma poupança, aluguéis de imóveis, investimentos em renda fixa ou variáveis, direitos autorais e pensões, ou até mesmo em ações em que podemos obter a renda através do lucro das empresas.
Conclusão
Neste paper, analisou-se as estratégias de investimento e os impactos das escolhas na construção de uma renda passiva em longo prazo, evidenciando que a partir da identificação do seu perfil de investidor o cidadão pode escolher de forma estratégica qual o tipo de investimento se adequa ao seu propósito de vida, lhe trazendo não apenas liberdade financeira, mas uma qualidade de vida. A busca de uma renda passiva traz para o indivíduo a oportunidade de uma melhor qualidade de vida e uma liberdade financeira através de muito esforço e dedicação, com o benefício de se colocar o dinheiro para trabalhar por você. Assim, quanto mais apendemos sobre tipos de investimentos menores os riscos e incerteza, garantindo uma maior motivação no equilíbrio do desafio do investimento com o conhecimento adquirido. Diante deste cenário o investidor com o pensamento estratégico deverá trazer para o presente as metas e o seus objetivos futuros através do planejamento, garantindo que o seu propósito seja alcançado, acima de tudo com muita disciplina. Muitos são os desafios para se adquirir uma renda passiva, começar pelo controle de seu orçamento, reconhecer seus ativos e passivos, ajustar o seu padrão de vida para a sua realidade, quitar as dívidas, calcular o quanto se faz necessário para poupar e por fim estudar os tipos de investimentos são os principais passos para garantir uma liberdade financeira. É importante entender que grande parte das pessoas trabalham por dinheiro, mas as pessoas com mentalidade de investidor colocam o dinheiro para trabalhar por elas: ou seja, são pessoas que compram ativos, se a intenção é ficar rico, é preciso comprar coisas que irá gerar bons retornos financeiros, ou seja, basta passar a vida comprando ativos que lhe possibilitarão comprar cada vez mais ativos e assim sucessivamente. Por fim, começar por um título que considere o mais seguro do mercado, onde possa resgatar seu capital a qualquer momento e, aos poucos aprofundando o conhecimento em investimento, ir diversificando seu capital com foco em uma carteira de investimentos mais robusta que lhe possibilite um futuro financeiro cada vez mais prospero, é um bom começo.
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